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<title>Operação Bandeirante</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Operação Bandeirante" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Operação Bandeirante</h1>

<p id="wx2">A <b id="wx3">Operação Bandeirante</b> (<b id="wx4">OBAN</b>) foi um centro de informações, investigações e <a href="/wpt/Tortura" title="Tortura" wx:linktype="known" wx:pagename="Tortura" wx:page_id="49246" id="wx5">torturas</a> montado pelo <a href="/wpt/Ex%C3%A9rcito_do_Brasil" title="Exército do Brasil" wx:linktype="known" wx:pagename="Exército_do_Brasil" wx:page_id="152808" id="wx6">Exército do Brasil</a> em <a href="/wpt/1969" title="1969" wx:linktype="known" wx:pagename="1969" wx:page_id="11493" id="wx7">1969</a>, que a coordenava e integrava as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda que tinham por objetivo confrontar o regime ditatorial que vigorava desde 1964 no <a href="/wpt/Brasil" title="Brasil" wx:linktype="known" wx:pagename="Brasil" wx:page_id="404" id="wx8">Brasil</a>.</p>

<p id="wx9">Foi uma entidade financiada por empresários: em <a href="/wpt/1971" title="1971" wx:linktype="known" wx:pagename="1971" wx:page_id="11431" id="wx10">1971</a>, o empresário <a href="/wpt/Henning_Albert_Boilesen" title="Henning Albert Boilesen" wx:linktype="known" wx:pagename="Henning_Albert_Boilesen" wx:page_id="1307437" id="wx11">Henning Albert Boilesen</a>, da <a href="/wpt/Ultrag%C3%A1s" title="Ultragás" wx:linktype="known" wx:pagename="Ultragás" wx:page_id="865711" id="wx12">Ultragás</a>, teria sido assassinado em <a href="/wpt/S%C3%A3o_Paulo" title="São Paulo" wx:linktype="known" wx:pagename="São_Paulo" wx:page_id="1719" id="wx13">São Paulo</a> sob a acusação de ter sido um dos financiadores da OBAN.</p>

<p id="wx14">Seu membro mais famoso foi o delegado <a href="/wpt/S%C3%A9rgio_Paranhos_Fleury" title="Sérgio Paranhos Fleury" wx:linktype="known" wx:pagename="Sérgio_Paranhos_Fleury" wx:page_id="624655" id="wx15">Sérgio Paranhos Fleury</a>.</p>

<a id="Hist.C3.B3ria" name="Hist.C3.B3ria"/>
<wx:section level="2" title="História" id="wxsec2"><h2 id="wx16">História</h2>

<p id="wx17">A OBAN foi lançada oficialmente em junho de 1969, marcando o início de uma escalada repressiva que seria responsável por mortes pelos meios mais cruéis.</p>

<p id="wx18">Teriam participado do ato de lançamento da OBAN, no dia <a href="/wpt/1%C2%BA_de_julho" title="1º de julho" wx:linktype="known" wx:pagename="1º_de_julho" wx:page_id="105483" id="wx19">1º de julho</a> de 1969, em <a href="/wpt/S%C3%A3o_Paulo_%28cidade%29" title="São Paulo (cidade)" wx:linktype="known" wx:pagename="São_Paulo_(cidade)" wx:page_id="7847" id="wx20">São Paulo</a>, o governador da época, <a href="/wpt/Roberto_Costa_de_Abreu_Sodr%C3%A9" title="Roberto Costa de Abreu Sodré" wx:linktype="known" wx:pagename="Roberto_Costa_de_Abreu_Sodré" wx:page_id="169586" id="wx21">Roberto Costa de Abreu Sodré</a>, o secretário de Segurança Pública, <a href="/wpt/Hely_Lopes_Meireles" title="Hely Lopes Meireles" wx:linktype="known" wx:pagename="Hely_Lopes_Meireles" wx:page_id="925545" id="wx22">Hely Lopes Meireles</a>, o general <a href="/wpt/Jos%C3%A9_Canavarro_Pereira" class="new" title="José Canavarro Pereira" wx:linktype="unknown" wx:pagename="José_Canavarro_Pereira" id="wx23">José Canavarro Pereira</a>, comandante do II Exército, e os comandantes do VI Distrito Naval e da 4ª Zona Aérea. No entanto, o ex-governador Abreu Sodré nega qualquer envolvimento com a OBAN. O prefeito da capital paulista à época, <a href="/wpt/Paulo_Maluf" title="Paulo Maluf" wx:linktype="known" wx:pagename="Paulo_Maluf" wx:page_id="16722" id="wx24">Paulo Maluf</a>, também refuta as versões de que teria dado apoio à iniciativa. Nada foi apurado oficialmente contra esse dois políticos.</p>

<p id="wx25">As ordens para a montagem de um organismo que reunisse elementos das <a href="/wpt/For%C3%A7as_Armadas" title="Forças Armadas" wx:linktype="known" wx:pagename="Forças_Armadas" wx:page_id="258521" id="wx26">Forças Armadas</a>, da Polícia Estadual - civil e militar - e da <a href="/wpt/Pol%C3%ADcia_Federal" title="Polícia Federal" wx:linktype="known" wx:pagename="Polícia_Federal" wx:page_id="57004" id="wx27">Polícia Federal</a> para o trabalho específico de combate à subversão, foram dadas ao final de <a href="/wpt/1968" title="1968" wx:linktype="known" wx:pagename="1968" wx:page_id="11494" id="wx28">1968</a> pelo Ministro da Justiça, professor <a href="/wpt/Lu%C3%ADs_Ant%C3%B4nio_da_Gama_e_Silva" title="Luís Antônio da Gama e Silva" wx:linktype="known" wx:pagename="Luís_Antônio_da_Gama_e_Silva" wx:page_id="1134794" id="wx29">Luís Antônio da Gama e Silva</a>, numa reunião dos secretários de Segurança em Brasília, e pelo general <a href="/wpt/Carlos_de_Meira_Matos" class="new" title="Carlos de Meira Matos" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Carlos_de_Meira_Matos" id="wx30">Carlos de Meira Matos</a>, que estava na chefia da Inspetoria Geral das Polícias Militares. A reunião, chamada "Seminário de Segurança Interna", discutiu toda uma estratégia de combate aos opositores do regime.</p>

<p id="wx31">Instalada no número 1030 da rua Tomás Carvalhal, nos fundos do 36° distrito policial, na capital paulista, transformou-se na mais célebre e monstruosa casa de torturas e assassinatos da ditadura e no paradigma dos órgãos de segurança da ditadura militar. Seu primeiro comandante foi o tenente-coronel do Exército <a href="/wpt/Waldir_Coelho" class="new" title="Waldir Coelho" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Waldir_Coelho" id="wx32">Waldir Coelho</a> Pode-se dizer que a partir daí o Exército entrou de corpo inteiro no combate às forças de esquerda e principalmente, naquele momento, às que se dispunham a desenvolver a luta armada para a implantação de uma ditadura comunista no Brasil. Mas não apenas estas: professores universitários eram vigiados e frequentemente abordados por agentes da organização.</p>

<p id="wx33">Sem vínculos formais, ou legais,a OBAN era em essência uma formação paramilitar de ação direta e violenta à margem da lei, o que lhe dava agilidade e brutal eficácia. Era financiada por doadores privados (Grupo Ultragás, <a href="/wpt/Ford" title="Ford" wx:linktype="known" wx:pagename="Ford" wx:page_id="103650" id="wx34">Ford</a>, <a href="/wpt/GM" title="GM" wx:linktype="known" wx:pagename="GM" wx:page_id="196302" id="wx35">GM</a> e <a href="/wpt/Grupo_Camargo_Corr%C3%AAa" title="Grupo Camargo Corrêa" wx:linktype="known" wx:pagename="Grupo_Camargo_Corrêa" wx:page_id="433464" id="wx36">Grupo Camargo Corrêa</a>, entre outros) e pelos bens tomados de suas vítimas. Entre os doadores, haviam os que apoiavam com entusiasmo a repressão e outros que contribuíam a contragosto, sob pressão.</p>

<p id="wx37">Entre esses doadores, destaca-se a figura de Henning Albert Boilesen, <a href="/wpt/Dinamarca" title="Dinamarca" wx:linktype="known" wx:pagename="Dinamarca" wx:page_id="3843" id="wx38">dinamarquês</a> naturalizado brasileiro, diretor do Grupo Ultra. Segundo versões, contestadas por sua família e nunca apuradas oficialmente, chegou a participar de sessões de tortura e teria inventado uma ferramenta de tortura que levou seu nome: a "pianola de Boilesen", uma espécie de teclado que emitia choques elétricos em quem o premesse. Também faz parte do imaginário esquerdista a filiação do empresário como colaborador da CIA.</p>

<p id="wx39">Em <a href="/wpt/15_de_abril" title="15 de abril" wx:linktype="known" wx:pagename="15_de_abril" wx:page_id="41082" id="wx40">15 de abril</a> de 1971 ele foi morto na capital paulista por militantes da <a href="/wpt/Vanguarda_Popular_Revolucion%C3%A1ria" title="Vanguarda Popular Revolucionária" wx:linktype="known" wx:pagename="Vanguarda_Popular_Revolucionária" wx:page_id="233104" id="wx41">Vanguarda Popular Revolucionária</a> (VPR), comandada por <a href="/wpt/Carlos_Lamarca" title="Carlos Lamarca" wx:linktype="known" wx:pagename="Carlos_Lamarca" wx:page_id="74916" id="wx42">Carlos Lamarca</a>. Investigações posteriores revelaram que Lamarca planejava executar ainda os empresários Peri Igel e <a href="/wpt/Sebasti%C3%A3o_Camargo" title="Sebastião Camargo" wx:linktype="known" wx:pagename="Sebastião_Camargo" wx:page_id="526661" id="wx43">Sebastião Camargo</a>, que também davam suporte financeiro à repressão aos grupos armados de esquerda.</p>

<p id="wx44">Em <a href="/wpt/1970" title="1970" wx:linktype="known" wx:pagename="1970" wx:page_id="11492" id="wx45">1970</a>, a OBAN, embora ainda conhecida como tal, já está mais legalizada, enquadrada pelo Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (<a href="/wpt/DOI-CODI" title="DOI-CODI" wx:linktype="known" wx:pagename="DOI-CODI" wx:page_id="193340" id="wx46">DOI-CODI</a>). Funciona ainda como OBAN, mas ao colocá-la sob a jurisdição do DOI-CODI, pretendia-se diminuir a sua autonomia, o que não adiantará muito. Em 1970, quem comanda a OBAN – oficialmente o DOI-CODI – é <a href="/wpt/Carlos_Alberto_Brilhante_Ustra" title="Carlos Alberto Brilhante Ustra" wx:linktype="known" wx:pagename="Carlos_Alberto_Brilhante_Ustra" wx:page_id="659872" id="wx47">Carlos Alberto Brilhante Ustra</a>, major de artilharia do Exército, conhecido também, nas rodas da tortura, pelos codinomes de Major, Doutor Silva e Doutor Tibiriçá.</p>

<p id="wx48">A ação da OBAN, como dos demais órgãos de repressão aos grupos armados de esquerda, só começou a arrefecer para enfim cessar a partir da abertura lenta e gradual promovida pelo presidente <a href="/wpt/Ernesto_Geisel" title="Ernesto Geisel" wx:linktype="known" wx:pagename="Ernesto_Geisel" wx:page_id="40675" id="wx49">Ernesto Geisel</a>. A morte de sua principal autoridade civil, o delegado Sérgio Paranhos Fleury, sepultou a história daquele período. Parte desta história começou a ser revelada no início dos anos 90 com a descoberta da vala clandestina do cemitério de <a href="/wpt/Perus" title="Perus" wx:linktype="known" wx:pagename="Perus" wx:page_id="55678" id="wx50">Perus</a> e as investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Municipal. Corpos de indigentes, vítimas do esquadrão da morte e presos políticos, mostravam que a vala foi depósito de todo tipo de violência do regime militar</p>

<p id="wx51">Obs.: As pessoas e organizações combatidas pela OBAN não tinham todas como meta a instalação de uma 'ditadura do proletariado' no Brasil, embora algumas desejassem isso de fato. Houve também casos de pessoas que foram torturadas por equívoco ou por excesso de zelo, tais como jornalistas e cidadãos comuns confundidos com militantes.</p>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas_.28fontes.29" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas_.28fontes.29"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ligações externas (fontes)" id="wxsec3"><h2 id="wx52">Ligações externas (fontes)</h2>

<ul id="wx53">
<li id="wx54"><a href="http://www.desaparecidospoliticos.org.br/perus/4.html" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx55">Vala de Perus - relatório da CPI da Câmara Municipal de São Paulo</a></li>

<li id="wx56"><a href="http://www.emilianojose.com.br/galeriaf/texto_lembranca_21.htm" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx57">EMILIANO JOSÉ - Lembranças do mar cinzento (XXI)</a></li>

<li id="wx58"><a href="http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2006/ju324pag6-7.html" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx59">Jornal da Unicamp - artigo de Eustáquio Gomes</a></li>

<li id="wx60"><a href="http://www.ternuma.com.br/terrorabr.htm" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx61">Grupo Terrorismo Nunca Mais - Vítimas do Terrorismo</a></li>

<li id="wx62"><a href="http://www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=3702" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx63">Mídia sem Máscara - Cidadão Boilesen</a></li>
</ul>
</wx:section></wx:section></div>
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<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Opera%C3%A7%C3%A3o_Bandeirante" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx64">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx65"><a href="/wpt/Categoria:Ditadura_militar_no_Brasil_%281964-1985%29" title="Categoria:Ditadura militar no Brasil (1964-1985)" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Ditadura_militar_no_Brasil_(1964-1985)" wx:page_id="1317945" id="wx66">Ditadura militar no Brasil (1964-1985)</a></span></div>
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