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<title>Inocêncio António de Miranda</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Inocêncio António de Miranda" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Inocêncio António de Miranda</h1>

<p id="wx2"><b id="wx3">Inocêncio António de Miranda</b> (<a href="/wpt/Pa%C3%A7o_%28Rio_Frio%29" title="Paço (Rio Frio)" wx:linktype="known" wx:pagename="Paço_(Rio_Frio)" wx:page_id="581956" id="wx4">Paço de Outeiro</a>, <a href="/wpt/Rio_Frio_%28Bragan%C3%A7a%29" title="Rio Frio (Bragança)" wx:linktype="known" wx:pagename="Rio_Frio_(Bragança)" wx:page_id="6882" id="wx5">Rio Frio</a>, <a href="/wpt/1761" title="1761" wx:linktype="known" wx:pagename="1761" wx:page_id="18705" id="wx6">1761</a> — <a href="/wpt/Grij%C3%B3_%28Macedo_de_Cavaleiros%29" title="Grijó (Macedo de Cavaleiros)" wx:linktype="known" wx:pagename="Grijó_(Macedo_de_Cavaleiros)" wx:page_id="16181" id="wx7">Grijó de Vale Benfeito</a>, <a href="/wpt/29_de_Maio" title="29 de Maio" wx:linktype="known" wx:pagename="29_de_Maio" wx:page_id="9006" id="wx8">29 de Maio</a> de <a href="/wpt/1836" title="1836" wx:linktype="known" wx:pagename="1836" wx:page_id="24764" id="wx9">1836</a>), mais conhecido por <b id="wx10">Abade de Medrões</b>, foi um polemista e político da primeira fase do liberalismo português, <a href="/wpt/Presb%C3%ADtero" title="Presbítero" wx:linktype="known" wx:pagename="Presbítero" wx:page_id="40995" id="wx11">presbítero</a> secular e abade da freguesia de <a href="/wpt/Medr%C3%B5es" title="Medrões" wx:linktype="known" wx:pagename="Medrões" wx:page_id="19130" id="wx12">Medrões</a>. Foi deputado eleito às <a href="/wpt/Cortes_Gerais_Extraordin%C3%A1rias_de_1821" title="Cortes Gerais Extraordinárias de 1821" wx:linktype="known" wx:pagename="Cortes_Gerais_Extraordinárias_de_1821" wx:page_id="1522144" id="wx13">Cortes Gerais Extraordinárias de 1821</a>, tendo-se destacado como polemista e pelas suas posições pouco consentâneas com ortodoxia católica da época. A sua obra <i id="wx14">O Cidadão Lusitano</i> alcançou então enorme relevo, mas foi combatida pela hierarquia da <a href="/wpt/Igreja_Cat%C3%B3lica_Romana" title="Igreja Católica Romana" wx:linktype="known" wx:pagename="Igreja_Católica_Romana" wx:page_id="544820" id="wx15">Igreja Católica Romana</a> ao ponto de ser incluída no <i id="wx16"><a href="/wpt/Index_Librorum_Prohibitorum" title="Index Librorum Prohibitorum" wx:linktype="known" wx:pagename="Index_Librorum_Prohibitorum" wx:page_id="8871" id="wx17">Index Librorum Prohibitorum</a></i> com proibição da sua leitura sob pena de <a href="/wpt/Excomunh%C3%A3o" title="Excomunhão" wx:linktype="known" wx:pagename="Excomunhão" wx:page_id="69238" id="wx18">excomunhão</a>.</p>

<a id="Biografia" name="Biografia"/>
<wx:section level="2" title="Biografia" id="wxsec2"><h2 id="wx19">Biografia</h2>

<p id="wx20">Iniciou a sua vida profissional como professor régio de gramática latina na então <a href="/wpt/Vila_de_Algoso" title="Vila de Algoso" wx:linktype="known" wx:pagename="Vila_de_Algoso" wx:page_id="1522243" id="wx21">vila de Algoso</a> enquanto se preparava para a ordenação sacerdotal. Feito <a href="/wpt/Presb%C3%ADtero" title="Presbítero" wx:linktype="known" wx:pagename="Presbítero" wx:page_id="40995" id="wx22">presbítero</a> passou a paroquiar em várias igrejas da região transmontana.</p>

<p id="wx23">Concorreu a reitor da igreja de <a href="/wpt/Grij%C3%B3_de_Vale_Benfeito" title="Grijó de Vale Benfeito" wx:linktype="known" wx:pagename="Grijó_de_Vale_Benfeito" wx:page_id="25892" id="wx24">Grijó de Vale Benfeito</a>, cargo que exerceu durante 6 anos. Tendo concorrido à igreja de <a href="/wpt/Quir%C3%A1s" title="Quirás" wx:linktype="known" wx:pagename="Quirás" wx:page_id="22049" id="wx25">Quirás</a>, não obteve o respectivo provimento, fixando-se então em Lisboa.</p>

<p id="wx26">Em Lisboa foi mestre de D. <a href="/wpt/Jos%C3%A9_Trazimundo_Mascarenhas_Barreto" title="José Trazimundo Mascarenhas Barreto" wx:linktype="known" wx:pagename="José_Trazimundo_Mascarenhas_Barreto" wx:page_id="923295" id="wx27">José Trazimundo Mascarenhas Barreto</a>, o futuro 7.º <a href="/wpt/Marqu%C3%AAs_de_Fronteira" title="Marquês de Fronteira" wx:linktype="known" wx:pagename="Marquês_de_Fronteira" wx:page_id="222834" id="wx28">marquês de Fronteira</a>, e de seu irmão D. Carlos de Mascarenhas Barreto. Esta ligação à alta aristocracia levou a que fosse apresentado pelos <a href="/wpt/Conde_de_Mur%C3%A7a" title="Conde de Murça" wx:linktype="known" wx:pagename="Conde_de_Murça" wx:page_id="271530" id="wx29">condes de Murça</a> para o lugar de abade de Medrões, cargo em que foi provido. A partir de então passou a usar o título de <i id="wx30">Abade de Medrões</i>, nome pelo qual ficaria conhecido na vida política.</p>

<p id="wx31">Após o triunfo da <a href="/wpt/Revolu%C3%A7%C3%A3o_do_Porto" title="Revolução do Porto" wx:linktype="known" wx:pagename="Revolução_do_Porto" wx:page_id="157421" id="wx32">Revolução do Porto</a>, o Abade de Medrões aderiu à ala mais radical do <a href="/wpt/Liberalismo" title="Liberalismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Liberalismo" wx:page_id="10108" id="wx33">liberalismo</a> português, sendo eleito deputado às <a href="/wpt/Cortes_Gerais_Extraordin%C3%A1rias_e_Constituintes_da_Na%C3%A7%C3%A3o_Portuguesa" title="Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa" wx:linktype="known" wx:pagename="Cortes_Gerais_Extraordinárias_e_Constituintes_da_Nação_Portuguesa" wx:page_id="646950" id="wx34">Cortes Gerais Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa</a>, de 1821-1822, onde teve um papel relevante.</p>

<p id="wx35">Ligado à <a href="/wpt/Ma%C3%A7onaria" title="Maçonaria" wx:linktype="known" wx:pagename="Maçonaria" wx:page_id="13224" id="wx36">Maçonaria</a>, na defesa das teses liberais publicou uma obra intitulada <i id="wx37">O Cidadão Lusitano...</i>, que teve um imediato sucesso junto do público leitor, esgotando-se em poucos dias a primeira edição, acontecendo quase outro tanto à segunda, mais numerosa e com um largo apêndice de refutação das críticas feitas à primeira, que apareceu poucos meses depois.</p>

<p id="wx38">A obra, de conteúdo radical e muito crítica em relação à doutrina e ao posicionamento da <a href="/wpt/Igreja_Cat%C3%B3lica_Romana" title="Igreja Católica Romana" wx:linktype="known" wx:pagename="Igreja_Católica_Romana" wx:page_id="544820" id="wx39">Igreja Católica Romana</a> face ao <a href="/wpt/Liberalismo" title="Liberalismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Liberalismo" wx:page_id="10108" id="wx40">liberalismo</a>, foi de imediato alvo de violentíssimos ataques e ásperas censuras por parte da hierarquia católica e da facção mais conservadora da sociedade portuguesa. Surgiram então numerosos escritos destinados a refutar as proposições do autor, apontando-as como contrárias à disciplina da igreja e não conformes à doutrina e à piedade cristã.</p>

<p id="wx41">Entre os críticos da obra do Abade de Medrões sobressaiu o padre <a href="/wpt/Jos%C3%A9_Agostinho_de_Macedo" title="José Agostinho de Macedo" wx:linktype="known" wx:pagename="José_Agostinho_de_Macedo" wx:page_id="591970" id="wx42">José Agostinho de Macedo</a>, que escreveu uma série de artigos virulentos saídos a lume na <i id="wx43"><a href="/wpt/Gazeta_Universal" class="new" title="Gazeta Universal" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Gazeta_Universal" id="wx44">Gazeta Universal</a></i> e um autor anónimo que publicou um série de três opúsculos intitulados <i id="wx45">Cartas de Ambrósio às direitas ao Senhor Abade de Medrões</i> (publicados em Lisboa no ano de 1822).</p>

<p id="wx46">Estas críticas desencadearam uma violenta polémica, com respostas duras por parte de Abade de Medrões, a que se seguiram novas publicações a refutar as suas respostas, com destaque para os opúsculos anónimos <i id="wx47">A Religião em triunfo, defendida e sustentada pela mesma regeneração da pátria libertada da superstição da inveterada seita maçónica, por um português cristão</i> (Lisboa, 1822) e <i id="wx48">Diálogo entre um barbeiro e um professor de gramática</i> (Lisboa, 1822). Também o grão prior da <a href="/wpt/Ordem_de_Cristo" title="Ordem de Cristo" wx:linktype="known" wx:pagename="Ordem_de_Cristo" wx:page_id="38664" id="wx49">Ordem de Cristo</a>, D. <a href="/wpt/Lu%C3%ADs_Ant%C3%B3nio_Carlos_Furtado" class="new" title="Luís António Carlos Furtado" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Luís_António_Carlos_Furtado" id="wx50">Luís António Carlos Furtado</a>, publicou anónima uma extensa refutação da obra do Abade de Medrões om o título de <i id="wx51">Elenco dos erros, paradoxos e absurdos, que contém a obra intitulada «O Cidadão Lusitano»</i>.</p>

<p id="wx52">Apesar das críticas e censuras eclesiásticas, <i id="wx53">O Cidadão Lusitano</i> teve grande voga e grande influência na formação da opinião das <a href="/wpt/Elite" title="Elite" wx:linktype="known" wx:pagename="Elite" wx:page_id="56085" id="wx54">elites</a> do tempo, papel em que apenas teve paralelo nos escritos do bispo D. frei <a href="/wpt/Manuel_Nicolau_de_Almeida" title="Manuel Nicolau de Almeida" wx:linktype="known" wx:pagename="Manuel_Nicolau_de_Almeida" wx:page_id="1519860" id="wx55">Manuel Nicolau de Almeida</a>, bispo de Angra.</p>

<p id="wx56">Em Junho <a href="/wpt/1823" title="1823" wx:linktype="known" wx:pagename="1823" wx:page_id="24996" id="wx57">1823</a>, após a <a href="/wpt/Vilafrancada" title="Vilafrancada" wx:linktype="known" wx:pagename="Vilafrancada" wx:page_id="95774" id="wx58">Vilafrancada</a> e a queda da Constituição, o <a href="/wpt/Cardeal_Patriarca_de_Lisboa" title="Cardeal Patriarca de Lisboa" wx:linktype="known" wx:pagename="Cardeal_Patriarca_de_Lisboa" wx:page_id="493063" id="wx59">Cardeal Patriarca de Lisboa</a>, D. <a href="/wpt/Carlos_da_Cunha_e_Menezes" title="Carlos da Cunha e Menezes" wx:linktype="known" wx:pagename="Carlos_da_Cunha_e_Menezes" wx:page_id="80309" id="wx60">Carlos da Cunha e Menezes</a>, publicou uma pastoral que, para além de outras obras, proibiu sob pena de excomunhão a leitura do <i id="wx61">Cidadão Lusitano</i>. Por decreto da <a href="/wpt/Santa_S%C3%A9" title="Santa Sé" wx:linktype="known" wx:pagename="Santa_Sé" wx:page_id="12141" id="wx62">Santa Sé</a>, de <a href="/wpt/6_de_Setembro" title="6 de Setembro" wx:linktype="known" wx:pagename="6_de_Setembro" wx:page_id="10906" id="wx63">6 de Setembro</a> de <a href="/wpt/1824" title="1824" wx:linktype="known" wx:pagename="1824" wx:page_id="19235" id="wx64">1824</a>, a obra foi incluída no <i id="wx65"><a href="/wpt/Index_Librorum_Prohibitorum" title="Index Librorum Prohibitorum" wx:linktype="known" wx:pagename="Index_Librorum_Prohibitorum" wx:page_id="8871" id="wx66">Index Librorum Prohibitorum</a></i>.</p>

<a id="Principais_obras" name="Principais_obras"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Principais obras" id="wxsec3"><h2 id="wx67">Principais obras</h2>

<ul id="wx68">
<li id="wx69"><i id="wx70">O Cidadão Lusitano: breve compendio em que se demonstram os fructos da Constituição, e os deveres do cidadão constitucional para com Deus, para com o rei, para com a patria, e para com todos os seus concidadãos; dialogo entre um liberal e um servil, o abbade Roberto e D. Julio</i>
<p id="wx71">, Lisboa, 1822 (com 2.ª edição no mesmo ano com um <i id="wx72">Appendix ao Cidadão Lusitano, ou illustracção de alguns artigos d'este compendio, em que o seu autor pretende dar uma satisfação ao publico menos illustrado, sobre certos reparos que se lhe tem feito</i>);</p>
</li>

<li id="wx73"><i id="wx74">Resposta à carta de Ambrósio ás direitas sobre alguns artigos do «Cidadão Lusitano»</i>
<p id="wx75">, Lisboa, 1822;</p>
</li>

<li id="wx76"><i id="wx77">Resposta do abade de Medrões à segunda carta de Ambrósio às direitas, na qual se mostra a sem razão com que o seu autor atacou a doutrina do «Cidadão Lusitano» e a hypocrisia com que pretendeu inculcar-se por muito a quem não o conhecer</i>
<p id="wx78">, Lisboa, 1822;</p>
</li>

<li id="wx79"><i id="wx80">Homília constitucional que Inocêncio António de Miranda, abade de Medrões e deputado em cortes, mandou publicar aos seus fregueses pelo seu coadjutor</i>
<p id="wx81">, Lisboa, 1822;</p>
</li>

<li id="wx82"><i id="wx83">Carta escripta em 30 de novembro de 1812 ao prior de S. Lourenço acerca da seita mystica influenciada pelo bispo de Bragança; e seus pretendidos milagres</i>
<p id="wx84">(no <i id="wx85">Conimbricense</i>).</p>
</li>
</ul>

<a id="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas" name="Liga.C3.A7.C3.B5es_externas"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ligações externas" id="wxsec4"><h2 id="wx86"><wx:template id="wx_t1" pagename="Predefinição:Links" page_id="71869"/>Ligações externas<wx:templateend start="wx_t1"/></h2>

<ul id="wx87">
<li id="wx88"><a href="http://www.arqnet.pt/dicionario/mirandainocencio.html" class="external text" wx:linktype="external" rel="nofollow" id="wx89">O Abade de Medrões no <i id="wx90">Portugal - Dicionário Histórico</i></a></li>
</ul>
</wx:section></wx:section></div>
<div id="wx_categorylinks">
<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Inoc%C3%AAncio_Ant%C3%B3nio_de_Miranda" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx91">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx92"><a href="/wpt/Categoria:Pol%C3%ADticos_de_Portugal" title="Categoria:Políticos de Portugal" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:Políticos_de_Portugal" wx:page_id="62987" id="wx93">Políticos de Portugal</a></span></div>
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