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<title>Gato de Schrödinger</title>
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<div id="wx_article">
<wx:section level="1" title="Gato de Schrödinger" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Gato de Schrödinger</h1>

<p id="wx2">O <b id="wx3">Gato de Schrödinger</b> é uma experiência mental inventada por <a href="/wpt/Erwin_Schr%C3%B6dinger" title="Erwin Schrödinger" wx:linktype="known" wx:pagename="Erwin_Schrödinger" wx:page_id="37935" id="wx4">Erwin Schrödinger</a> que procura ilustrar a teoria da <a href="/wpt/Mec%C3%A2nica_qu%C3%A2ntica" title="Mecânica quântica" wx:linktype="known" wx:pagename="Mecânica_quântica" wx:page_id="7764" id="wx5">mecânica quântica</a> do sistema macroscópico ao subatómico.</p>

<div id="wx_toc"/>

<a id="O_gato" name="O_gato"/>
<wx:section level="2" title="O gato" id="wxsec2"><h2 id="wx6">O gato</h2>

<div class="wx_image" wx:align="right" wx:thumb="thumb" id="wx7"><a href="/wpt/Imagem:Schr%C3%B6dinger_cat.png" title="Ilustração da metáfora do gato de Schrödinger" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Schrödinger_cat.png" id="wx8"><img src="/wpt/Imagem:Schr%C3%B6dinger_cat.png" alt="Ilustração da metáfora do gato de Schrödinger" width="300" id="wx9"/></a> 

<div class="thumbcaption" id="wx10">
<p id="wx11">Ilustração da metáfora do gato de Schrödinger</p>
</div>
</div>

<p id="wx12">O <a href="/wpt/Gato" title="Gato" wx:linktype="known" wx:pagename="Gato" wx:page_id="872634" id="wx13">gato</a> é colocado numa caixa selada. Então, no interior da caixa, existe um dispositivo que contém um núcleo radioativo e um frasco de gás venenoso. Quando o núcleo decai, emite uma partícula que acciona o dispositivo, que parte o frasco e mata o gato. De acordo com a mecânica quântica, o núcleo é descrito como uma mistura de "núcleo decaído" e de "núcleo não decaído". No entanto, quando a caixa é aberta o experimentador vê só um "gato morto/núcleo decaído" ou um "núcleo não decaído/gato vivo." A questão é a de saber quando é que o sistema deixa de ser uma mistura de estados e se torna num ou noutro?</p>

<p id="wx14">Ao contrário da convicção popular, Schrödinger não pretendia mostrar que existem gatos mortos/vivos; o que ele queria mostrar é que a mecânica quântica é uma teoria incompleta se não existirem regras que descrevam quando é que a função de onda colapsa e o gato se torna morto ou vivo em vez de uma mistura de ambos.</p>

<p id="wx15">Segundo a <a href="/wpt/Interpreta%C3%A7%C3%A3o_de_Copenhaga" title="Interpretação de Copenhaga" wx:linktype="known" wx:pagename="Interpretação_de_Copenhaga" wx:page_id="1006" id="wx16">Interpretação de Copenhaga</a>, um sistema deixa de ser uma mistura de estados e passa a ser um único estado quando se dá uma observação. Esta experiência ilustra que não é claro qual é o momento exacto da observação. Poder-se-ia argumentar a posição absurda de que enquanto a caixa está fechada, o sistema é uma sobreposição de estados "gato morto/núcleo decaído" e "gato vivo/núcleo não decaído" e só quando a caixa é aberta e se dá uma observação é que a função de onda colapsa num dos dois estados. Isto é absurdo, e intuitivamente pensar-se-ia que a "observação" se dá quando uma partícula do núcleo bate no detector. No entanto (e isto é a ideia crucial da experiência), não há qualquer regra para escolher entre as duas hipóteses, e a mecânica quântica é incompleta sem explicações para a existência de tais regras.</p>

<p id="wx17">Segundo a <a href="/wpt/Interpreta%C3%A7%C3%A3o_dos_universos_paralelos_de_Everett" title="Interpretação dos universos paralelos de Everett" wx:linktype="known" wx:pagename="Interpretação_dos_universos_paralelos_de_Everett" wx:page_id="116154" id="wx18">interpretação dos universos paralelos de Everett</a>, ambos os estados persistem. Quando um observador abre a caixa, ele torna-se um tanto emaranhado com o gato, então o observador declara o correspondente ao que vê, se o gato está vivo ou morto sendo que cada um não pode ter qualquer interacção com o outro.</p>

<p id="wx19">Curiosamente, estas ideias têm algum interesse prático, já que podem ser aplicadas à <a href="/wpt/Criptografia_qu%C3%A2ntica" title="Criptografia quântica" wx:linktype="known" wx:pagename="Criptografia_quântica" wx:page_id="293587" id="wx20">criptografia quântica</a>. É possível enviar através de uma <a href="/wpt/Fibra_%C3%B3ptica" title="Fibra óptica" wx:linktype="known" wx:pagename="Fibra_óptica" wx:page_id="881" id="wx21">fibra óptica</a>, luz que é uma mistura de estados. Se fosse possível colocar um aparelho no meio do cabo que intercepte a transmissão e a retransmita, seria possível observar que a luz colapsa num dos estados. Através de uma análise estatística realizada na outra extremidade do cabo, é possível determinar se a luz foi interceptada e retransmitida ou não. Isto permite o desenvolvimento de sistemas de comunicação que não podem ser detectados sem que isso seja observado. <wx:template id="wx_t1" pagename="Predefinição:Link_FA" page_id="162503"/>
<span id="interwiki-sv-fa"/> <wx:templateend start="wx_t1"/>
</p>

<a id="Outras_explica.C3.A7.C3.B5es" name="Outras_explica.C3.A7.C3.B5es"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Outras explicações" id="wxsec3"><h2 id="wx22">Outras explicações</h2>

<a id="Paradoxo_do_gato_de_Schr.C3.B6dinger" name="Paradoxo_do_gato_de_Schr.C3.B6dinger"/>
<wx:section level="3" title="Paradoxo do gato de Schrödinger" id="wxsec4"><h3 id="wx23">Paradoxo do gato de Schrödinger</h3>

<p id="wx24">Em 1935 Erwin Schrödinger, um dos fundadores da <a href="/wpt/Mec%C3%A2nica_qu%C3%A2ntica" title="Mecânica quântica" wx:linktype="known" wx:pagename="Mecânica_quântica" wx:page_id="7764" id="wx25">mecânica quântica</a>, havia já percebido como os problemas filosóficos de uma superposição quântica poderiam aparecer em nível macroscópico. Ilustrou este ponto, dando-lhe um toque de espetacularidade, com um experimento ideal, agora famoso, que tem a ver com um <a href="/wpt/Gato" title="Gato" wx:linktype="known" wx:pagename="Gato" wx:page_id="872634" id="wx26">gato</a>. Um gato está fechado numa câmara de aço, junto ao diabólico dispositivo seguinte (que deve assegurar-se contra uma interferência directa por parte do gato); num contador Geiger há um pedacinho de uma substância radioactiva, tão pequeno, que talvez no decorrer de uma hora se desintegre um átomo, mas também poderia ocorrer com igual probabilidade que nenhum átomo se desintegrasse; se ocorre o primeiro, produz-se uma descarga no tubo e mediante um relé solta-se um martelo que rompe um frasquinho de ácido cianídrico. Se deseja que o sistema completo funcione durante uma hora, diríamos que o gato viverá se nesse tempo não se tiver desintegrado nenhum átomo. A primeira desintegração atómica envenená-lo-á.</p>

<p id="wx27">Nas nossas mentes está absolutamente claro que o gato deve estar vivo <b id="wx28">ou</b> morto. Por outro lado, segundo as regras da mecânica quântica, o sistema total dentro da caixa encontra-se numa superposição de dois estados um com o gato vivo e o outro com o gato morto. Mas que sentido podemos dar a um gato vivo-morto? É de se presumir que o próprio gato sabe se está morto ou vivo, e, todavia, ao aceitar-se a linha de raciocínio de <a href="/wpt/Von_Neumann" title="Von Neumann" wx:linktype="known" wx:pagename="Von_Neumann" wx:page_id="133374" id="wx29">von Neumann</a>, somos obrigado a concluir que a infeliz criatura permanece num estado de animação suspensa até que alguém olha para o interior da caixa para verificá-lo, em cujo momento é projectado à vitalidade plena ou então instantaneamente liquidado.</p>

<p id="wx30">O <a href="/wpt/Paradoxo" title="Paradoxo" wx:linktype="known" wx:pagename="Paradoxo" wx:page_id="14837" id="wx31">paradoxo</a> resulta ainda mais ousado se o gato é substituído por uma pessoa, pois então o amigo que ficou encarcerado dentro da caixa estará consciente todo o tempo da sua saúde ou do contrário. Se o experimentador abre a caixa e descobre que o sujeito está todavia vivo, pode então perguntar ao seu amigo como se sentia antes desta aparentemente crucial observação. Obviamente, o amigo responderá que permaneceu 100% vivo durante todo o tempo. E, entretanto, isto acha-se em contradição com a mecânica quântica, que insiste em que o amigo está num estado de superposição vivo-morto antes de se inspeccionar o conteúdo da caixa.</p>

<p id="wx32">O paradoxo do gato derruba qualquer esperança que possamos ter de que o fantasma da mecânica quântica está de algum modo confinado ao micro mundo sombrio dos átomos, e que a natureza paradoxal da realidade no domínio atómico é irrelevante para a experiência quotidiana. Se a mecânica quântica é aceita como uma descrição correcta de todo o tipo de matéria, a dita esperança está claramente fora de lugar. Seguindo a lógica da teoria quântica até sua conclusão final, a maior parte do universo físico parece diluir-se numa fantasia de sombras.</p>

<p id="wx33"><a href="/wpt/Einstein" title="Einstein" wx:linktype="known" wx:pagename="Einstein" wx:page_id="9877" id="wx34">Einstein</a>, entre outros, não pode jamais aceitar esse extremo lógico. De facto, uma vez perguntou: A lua existe ou não quando alguém a está olhando? A ideia de fazer do observador o elemento pivô na realidade física parece contrária ao espírito inteiro da ciência como um empreendimento impessoal e objectivo. A não ser que exista um mundo concreto "externo" para que experimentemos sobre ele e conjecturemos acerca do mesmo, não degenera a ciência num jogo de trapaças simples de imagens? Assim, pois, qual é a solução do paradoxo da medida? Aqui é realmente onde entram nossos interlocutores porque, como veremos, têm opiniões muito diferentes. Examinemos primeiro algumas posturas gerais.</p>

<a id="O_ponto_de_vista_pragm.C3.A1tico" name="O_ponto_de_vista_pragm.C3.A1tico"/>
</wx:section><wx:section level="3" title="O ponto de vista pragmático" id="wxsec5"><h3 id="wx35">O ponto de vista pragmático</h3>

<p id="wx36">A maioria dos físicos não levam a lógica da <a href="/wpt/Teoria_qu%C3%A2ntica" title="Teoria quântica" wx:linktype="known" wx:pagename="Teoria_quântica" wx:page_id="121785" id="wx37">teoria quântica</a> até seu autêntico final. Supõem tacitamente que nalguma parte, a certo nível entre os átomos e os contadores Geiger, a física quântica de algum modo se "converte" na <a href="/wpt/F%C3%ADsica_cl%C3%A1ssica" title="Física clássica" wx:linktype="known" wx:pagename="Física_clássica" wx:page_id="408176" id="wx38">física clássica</a>, pelo que nunca se duvida acerca da realidade independente de mesas, cadeiras e luas. <a href="/wpt/Bohr" title="Bohr" wx:linktype="known" wx:pagename="Bohr" wx:page_id="61319" id="wx39">Bohr</a> disse que esta metamorfose requeria "um acto de amplificação irreversível" da perturbação quântica, que conduza a um resultado detectável macroscopicamente. Mas deixou sem esclarecer o que supõe exactamente este acto.</p>

<a id="A_mente_sobre_a_mat.C3.A9ria" name="A_mente_sobre_a_mat.C3.A9ria"/>
</wx:section><wx:section level="3" title="A mente sobre a matéria" id="wxsec6"><h3 id="wx40">A mente sobre a matéria</h3>

<p id="wx41">O papel chave que desempenham as observações na física quântica leva indubitavelmente a questões sobre a natureza da mente e da consciência e suas relações com a matéria. O facto de que, uma vez tendo-se levado a cabo uma observação sobre um sistema quântico, o seu estado (função de ondas) mudará em geral bruscamente, parece familiar à ideia da "mente sobre a matéria". É como se o estado mental alterado do experimentador, ao se consciencializar do resultado da medida, de algum modo se reintroduzisse no aparelho do laboratório e, portanto, no sistema quântico, alterando também o seu estado. Resumidamente, o estado físico actua alterando o estado mental e o estado mental retro actua sobre o estado físico.</p>

<p id="wx42">Numa secção anterior mencionou-se como von Neumann imaginava uma cadeia de instrumentos de medidas aparentemente sem fim, no qual cada um deles "observa" o precedente, mas nenhum leva jamais a cabo o "colapso" da função de ondas. A cadeia pode então acabar quando se envolve um observador consciente. Somente com a entrada do resultado da medida na consciência de alguém, a pirâmide completa dos estados quânticos "limbo" colapsará com uma realidade concreta.</p>

<p id="wx43"><a href="/wpt/Eugene_Wigner" title="Eugene Wigner" wx:linktype="known" wx:pagename="Eugene_Wigner" wx:page_id="648204" id="wx44">Eugene Wigner</a> é um físico que tem propugnado firmemente esta versão dos factos. Segundo Wigner, a mente desempenha a parte fundamental na realização da brusca troca irreversível no estado quântico que caracteriza uma medida. Não é suficiente equipar o laboratório com complicados instrumentos automáticos de registos, câmaras de vídeo e outros parecidos. Salvo se alguém realmente olha para ver onde marca a agulha no contador (ou realmente olhe o registo vídeo), o estado quântico permanecerá no limbo.</p>

<p id="wx45">Na última secção vimos como Schrödinger empregou um gato no seu experimento mental. Um gato é um sistema macroscópico suficientemente complexo para que dois estados alternativos (vivo ou morto) sejam dramaticamente distintos. Não obstante, um gato é o bastante complexo para se contar como um observador e alterar irreversivelmente o estado quântico ( isto é, "o colapso da função de ondas"? E se o gato pode fazê-lo, o que se passará com uma mosca? Ou com uma pulga? Ou com uma amiba? Onde entra pela primeira vez a consciência na elaboração da hierarquia da vida terrestre?</p>

<p id="wx46">As considerações precedentes estão intimamente conectadas com a debatida questão do problema corpo-mente na filosofia. Durante muito tempo, muita gente aderiu ao que o filósofo <a href="/wpt/Gilbert_Ryle" title="Gilbert Ryle" wx:linktype="known" wx:pagename="Gilbert_Ryle" wx:page_id="138470" id="wx47">Gilbert Ryle</a> chamava "ponto de vista oficial" sobre a relação entre a mente e o corpo (ou cérebro), que remonta pelo menos até Descartes. Segundo este ponto de vista, a mente (ou alma) é um tipo de substância, um tipo especial de substância efémera e intangível, diferente do tipo muito tangível de material de que são feitos os nossos corpos, mas acoplada a este material. A mente, então, é uma COISA que pode ter estados - estados mentais - que podem alterar-se ( ao receber dados sensoriais) como resultado de seu acoplamento ao cérebro. Mas isso não é tudo. O elo que acopla cérebro e mente funciona em dois sentidos, capacitando-nos a gravar a nossa vontade sobre os nossos cérebros e deles sobre nossos corpos.</p>

<p id="wx48">Hoje em dia, entretanto, estas ideias dualistas têm caído em desgraça entre muitos cientistas que preferem considerar o cérebro como uma máquina eléctrica enormemente complexa, mas sem nenhum mistério à parte, sujeita às leis da física como qualquer outra máquina. Os estados internos do cérebro devem estar determinados, portanto, por seus estados passados mais do que pelos efeitos de quaisquer dados pessoais que entrem nele. Do mesmo modo, os sinais emitidos pelo cérebro, que controlam o que chamamos "comportamento", estão completamente determinados pelo estado interno do cérebro no correspondente momento.</p>

<p id="wx49">A dificuldade com esta descrição materialista do cérebro é que parece reduzir as pessoas a simples autómatos, não deixando lugar algum para uma mente independente ou uma vontade livre. Se todo o impulso nervoso é regulado pelas leis da física, como pode a mente introduzir-se em sua operação? Mas se a mente não se introduz, como é que aparentemente controlamos os nossos corpos segundo a nossa vontade pessoal?</p>

<p id="wx50">Com o descobrimento da <a href="/wpt/Mec%C3%A2nica_qu%C3%A2ntica" title="Mecânica quântica" wx:linktype="known" wx:pagename="Mecânica_quântica" wx:page_id="7764" id="wx51">mecânica quântica</a>, um certo número de pessoas, notadamente <a href="/wpt/Artur_Eddington" class="new" title="Artur Eddington" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Artur_Eddington" id="wx52">Artur Eddington</a>, acreditaram que haviam superado este impasse. Posto que os sistemas quânticos são inerentemente indeterminísticos, a descrição mecânica de todos os sistemas físicos, inclusive o cérebro, torna-se falsa. O <a href="/wpt/Princ%C3%ADpio_da_incerteza" title="Princípio da incerteza" wx:linktype="known" wx:pagename="Princípio_da_incerteza" wx:page_id="129844" id="wx53">princípio da incerteza</a> de <a href="/wpt/Heisenberg" title="Heisenberg" wx:linktype="known" wx:pagename="Heisenberg" wx:page_id="97892" id="wx54">Heisenberg</a> permite usualmente uma gama de resultados possíveis para qualquer estado físico dado e é fácil conjecturar que a consciência, ou a mente, poderia ter voto ao decidir qual das alternativas disponíveis se leva realmente a cabo.</p>

<p id="wx55">Imagine-se então um electrão em alguma célula cerebral a ponto de excitar-se. A mecânica quântica permite que o electrão vagueie por um conjunto de trajectórias. Talvez, para que a célula se excite, baste que a mente carregue um pouco o dado quântico e assim empurre o electrão, favorecendo uma certa direcção e iniciando desse modo uma cascata de actividades eléctricas que culmine, digamos no levantamento de um braço.</p>

<p id="wx56">Independentemente de seu atractivo, a ideia de que a mente acha a sua expressão no mundo por deferência ao princípio quântico de incerteza não é tomada realmente muito a sério, em grande parte porque a actividade eléctrica do cérebro parece ser mais vigorosa que tudo isso. Afinal, se as células cerebrais operam a nível quântico, a rede inteira é vulnerável às singulares flutuações quânticas aleatórias de qualquer electrão de entre a miríade existente.</p>

<p id="wx57">O conceito de que a mente é uma entidade capaz de interagir com a matéria tem sido criticado severamente como um erro categórico por Ryle, que ridiculariza o "ponto de vista oficial" da mente, qualificando-a como "o espírito dentro da máquina" (the ghost in the machine). Ryle argumenta que quando falamos de cérebro empregamos conceitos apropriados para um certo nível de descrição. Por outro lado, a discussão sobre a mente faz referência a um nível de descrição completamente diferente e mais abstracto. É algo assim como a diferença entre o Governo e a Constituição britânicos, onde o primeiro é um grupo concreto de indivíduos e a última um conjunto abstracto de ideias. Ryle argumenta que tem tão pouco sentido falar de comunicação entre Governo e Constituição como falar de comunicação entre mente e cérebro.</p>

<p id="wx58">Uma analogia melhor, talvez mais adequada para a era moderna, pode encontrar-se nos conceitos de hardware e software na informática. Num computador, o hardware desempenha o papel do cérebro, embora o software seja análogo à mente. Podemos aceitar com agrado que o resultado proporcionado por um computador está rigorosamente determinado em sua totalidade pelas leis dos circuitos eléctricos mais os dados de entrada utilizados. Raramente perguntamos "como se regula o programa para fazer que todos esses pequenos circuitos disparem de acordo com a sequência correcta?" Não obstante, sentimo-nos contentes em dar uma descrição equivalente em linguagem de software, usando conceitos como input, output, cálculo, dados, respostas, etc.</p>

<p id="wx59">As descrições gémeas de hardware e de software aplicadas à operação dos computadores são mutuamente complementares, não contraditórias. A situação tem, portanto, um estreito paralelismo com o princípio de complementaridade de Bohr. Certamente, a analogia é muito estreita quando consideramos a questão da dualidade onda-partícula. Como temos visto, uma onda quântica é realmente uma descrição do nosso conhecimento do sistema (quer dizer, um conceito de software), embora uma partícula seja uma peça de hardware. O paradoxo da mecânica quântica é que, de certo modo, os níveis de descrição de hardware e de software cheguem a entrelaçar-se inextricavelmente. Parece que não entendemos o espírito no átomo até que cheguemos a entender o espírito na máquina.</p>
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