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<title>Pensamentos de Arthur Schopenhauer</title>
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<wx:section level="1" title="Pensamentos de Arthur Schopenhauer" id="wxsec1"><h1 class="pagetitle" id="wx1">Pensamentos de Arthur Schopenhauer</h1>

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<table class="caixa aviso" style="margin-bottom: 10px;" id="wx2">
<tr id="wx3">
<td width="30px" id="wx4">
<div style="position: relative; width: 30px; height: 30px; overflow: hidden" id="wx5">
<div style="position: absolute; top: 0px; left: 0px; font-size: 100px; overflow: hidden; line-height: 100px; z-index: 3" id="wx6"><a href="/wpt/Wikipedia:Livro_de_estilo/Cite_as_fontes" title="Wikipedia:Livro de estilo/Cite as fontes" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikipedia:Livro_de_estilo/Cite_as_fontes" id="wx7">   </a></div>

<div style="position: absolute; top: 0px; left: 0px; z-index: 2" id="wx8"><a href="/wpt/Imagem:Nuvola_apps_important.svg" title="Wikipedia:Livro de estilo/Cite as fontes " wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Nuvola_apps_important.svg" id="wx9"><img src="/wpt/Imagem:Nuvola_apps_important.svg" alt="Wikipedia:Livro de estilo/Cite as fontes " width="30" id="wx10"/></a></div>
</div>
</td>
<td id="wx11"><b id="wx12">ATENÇÃO: Este artigo ou secção não cita as suas <a href="/wpt/Wikipedia:Livro_de_estilo/Cite_as_fontes" title="Wikipedia:Livro de estilo/Cite as fontes" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikipedia:Livro_de_estilo/Cite_as_fontes" id="wx13">fontes ou referências</a>, em desacordo com a <a href="/wpt/Wikipedia:Verificabilidade" title="Wikipedia:Verificabilidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikipedia:Verificabilidade" id="wx14">política de verificabilidade</a>.</b>
<p id="wx15">Ajude a melhorar este artigo providenciando <a href="/wpt/Wikipedia:Fontes_fi%C3%A1veis" title="Wikipedia:Fontes fiáveis" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikipedia:Fontes_fiáveis" id="wx16">fontes fiáveis</a> e independentes, inserindo-as no corpo do texto ou em <a href="/wpt/Wikipedia:Livro_de_estilo/Notas_de_rodap%C3%A9" title="Wikipedia:Livro de estilo/Notas de rodapé" wx:linktype="known" wx:pagename="Wikipedia:Livro_de_estilo/Notas_de_rodapé" id="wx17">notas de rodapé</a>.</p>
</td>
</tr>
</table>

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<p id="wx18">Os <b id="wx19">Pensamentos de Arthur Schopenhauer</b> consistem em uma coletânea de pensamentos ditos pessimistas, que dizem a respeito da vida humana, sendo regida pela <a href="/wpt/Vontade" title="Vontade" wx:linktype="known" wx:pagename="Vontade" wx:page_id="170054" id="wx20">vontade</a>, e sendo esta última uma espécie de <a href="/wpt/Deus" title="Deus" wx:linktype="known" wx:pagename="Deus" wx:page_id="674" id="wx21">Deus</a> <a href="/wpt/Pante%C3%ADsmo" title="Panteísmo" wx:linktype="known" wx:pagename="Panteísmo" wx:page_id="37057" id="wx22">panteísta</a>, que está presente em todos os humanos, sem exceção de nenhum, e que necessita sobreviver, se usando do <a href="/wpt/Sexo" title="Sexo" wx:linktype="known" wx:pagename="Sexo" wx:page_id="12969" id="wx23">desejo sexual</a> para se reproduzir e multiplicar; e devido ao desejo de sempre querer mais, a vontade acaba levando ao sofrimento humano, pois o homem nunca será satisfeito com uma única coisa.</p>

<p id="wx24"><a href="/wpt/Arthur_Schopenhauer" title="Arthur Schopenhauer" wx:linktype="known" wx:pagename="Arthur_Schopenhauer" wx:page_id="25440" id="wx25">Schopenhauer</a> procura uma forma de libertação dessa vontade se baseando em escritos <a href="/wpt/Budismo" title="Budismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Budismo" wx:page_id="3528" id="wx26">budistas</a> e na <a href="/wpt/Filosofia_oriental" title="Filosofia oriental" wx:linktype="known" wx:pagename="Filosofia_oriental" wx:page_id="449190" id="wx27">filosofia oriental</a>, que diz que a única forma de se libertar da vontade é por meio doa renúncia total à ela, que será alcançada no <a href="/wpt/Nirvana" title="Nirvana" wx:linktype="known" wx:pagename="Nirvana" wx:page_id="50253" id="wx28">Nirvana</a>.</p>

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<table style="margin: 0 0 1em 1em; border: solid #aaa 1px; background: #f9f9f9; padding: 1ex; font-size: 90%; clear: right; float: right;" class="noprint" id="wx29">
<tr id="wx30">
<td id="wx31"><a href="/wpt/Imagem:Portal.svg" title="Portal" wx:linktype="image" wx:pagename="Imagem:Portal.svg" id="wx32"><img src="/wpt/Imagem:Portal.svg" alt="Portal" width="36" id="wx33"/></a> </td>
<td id="wx34">
<p id="wx35">A Wikipédia possui o<br id="wx36"/>
<i id="wx37"><b id="wx38"><a href="/wpt/Portal:Filosofia" class="new" title="Portal:Filosofia" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Portal:Filosofia" id="wx39">Portal de filosofia</a></b></i></p>

<div class="hiddenStructure" id="wx40"><i id="wx41"><b id="wx42">{{{Portal2}}}</b></i></div>

<div class="hiddenStructure" id="wx43"><i id="wx44"><b id="wx45">{{{Portal3}}}</b></i></div>

<div class="hiddenStructure" id="wx46"><i id="wx47"><b id="wx48">{{{Portal4}}}</b></i></div>

<div class="hiddenStructure" id="wx49"><i id="wx50"><b id="wx51">{{{Portal5}}}</b></i></div>
</td>
</tr>
</table>

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<div id="wx_toc"/>

<a id="Um_mundo_cego_e_irracional" name="Um_mundo_cego_e_irracional"/>
<wx:section level="2" title="Um mundo cego e irracional" id="wxsec2"><h2 id="wx52">Um mundo cego e irracional</h2>

<p id="wx53">O ponto de partida do pensamento de Schopenhauer encontra-se na filosofia kantiana. <a href="/wpt/Immanuel_Kant" title="Immanuel Kant" wx:linktype="known" wx:pagename="Immanuel_Kant" wx:page_id="8759" id="wx54">Immanuel Kant</a> (<a href="/wpt/1724" title="1724" wx:linktype="known" wx:pagename="1724" wx:page_id="28355" id="wx55">1724</a> – <a href="/wpt/1804" title="1804" wx:linktype="known" wx:pagename="1804" wx:page_id="8815" id="wx56">1804</a>) estabelecera distinção entre os <a href="/wpt/Fen%C3%B4meno" title="Fenômeno" wx:linktype="known" wx:pagename="Fenômeno" wx:page_id="49672" id="wx57">fenômenos</a> e a <a href="/wpt/Coisa-em-si" class="new" title="Coisa-em-si" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Coisa-em-si" id="wx58">coisa-em-si</a> (que chamou <i id="wx59">noumenon</i>), isto é, entre o que nos aparece e o que existiria em si mesmo. A coisa-em-si (<i id="wx60">noumenon</i>) não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então pretendera a <a href="/wpt/Metaf%C3%ADsica" title="Metafísica" wx:linktype="known" wx:pagename="Metafísica" wx:page_id="19223" id="wx61">metafísica</a> clássica. A <a href="/wpt/Ci%C3%AAncia" title="Ciência" wx:linktype="known" wx:pagename="Ciência" wx:page_id="554" id="wx62">ciência</a> restringir-se-ia, assim, ao mundo dos fenômenos, e seria constituída pelas formas <i id="wx63"><a href="/wpt/A_priori" title="A priori" wx:linktype="known" wx:pagename="A_priori" wx:page_id="184147" id="wx64">a priori</a></i> da sensibilidade (<a href="/wpt/Espa%C3%A7o" title="Espaço" wx:linktype="known" wx:pagename="Espaço" wx:page_id="16478" id="wx65">espaço</a> e <a href="/wpt/Tempo" title="Tempo" wx:linktype="known" wx:pagename="Tempo" wx:page_id="14228" id="wx66">tempo</a>) e pelas categorias do entendimento. Dessas distinções, Schopenhauer concluiu que o <a href="/wpt/Mundo" title="Mundo" wx:linktype="known" wx:pagename="Mundo" wx:page_id="45148" id="wx67">mundo</a> não seria mais do que representações, entendidas por ele, num primeiro momento, como síntese entre o <a href="/wpt/Subjetivo" class="new" title="Subjetivo" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Subjetivo" id="wx68">subjetivo</a> e o objetivo, entre a realidade exterior e a <a href="/wpt/Consci%C3%AAncia" title="Consciência" wx:linktype="known" wx:pagename="Consciência" wx:page_id="86473" id="wx69">consciência</a> humana. Como afirma em <a href="/wpt/O_Mundo_Como_Vontade_e_Representa%C3%A7%C3%A3o" title="O Mundo Como Vontade e Representação" wx:linktype="known" wx:pagename="O_Mundo_Como_Vontade_e_Representação" wx:page_id="75579" id="wx70">O Mundo Como Vontade e Representação</a>, <i id="wx71">“por mais maciço e imenso que seja este mundo, sua existência depende, em qualquer momento, apenas de um fio único e delgadíssimo: a consciência em que aparece”</i>. Em outra passagem de sua principal obra, Schopenhauer deixa mais clara essa idéia: <i id="wx72">“O mundo como <a href="/wpt/Representa%C3%A7%C3%A3o" title="Representação" wx:linktype="known" wx:pagename="Representação" wx:page_id="290319" id="wx73">representação</a>, isto é; unicamente do ponto de vista de que o consideramos aqui, tem duas metades essenciais, necessárias e inseparáveis. Uma é o objeto; suas formas são o espaço e o tempo, donde a pluralidade. A outra metade é o sujeito; não se encontra colocada no tempo e no espaço, porque existe inteira e indivisa em todo ser que percebe: daí resulta que um só desses seres junto ao objeto completa o mundo como representação, tão perfeitamente quanto todos os milhões de seres semelhantes que existem: mas, também, se esse ser desaparece, o mundo como representação não mais existe”</i>.</p>

<p id="wx74">Não se pode dizer que essas idéias expressem exatamente o <a href="/wpt/Pensamento" title="Pensamento" wx:linktype="known" wx:pagename="Pensamento" wx:page_id="73860" id="wx75">pensamento</a> kantiano, mas, seja como for, Schopenhauer chegou a essas conclusões, partindo do mestre que tanto admirava. Schopenhauer, contudo, separa-se, explicitamente, de Kant em um ponto essencial e, a partir daí, constrói uma <a href="/wpt/Filosofia" title="Filosofia" wx:linktype="known" wx:pagename="Filosofia" wx:page_id="844" id="wx76">filosofia</a> original. Para Kant, a coisa-em-si é inacessível ao conhecimento humano, pois encontra-se além dos limites das estruturas do próprio ato cognitivo, entendido como <a href="/wpt/S%C3%ADntese" title="Síntese" wx:linktype="known" wx:pagename="Síntese" wx:page_id="591223" id="wx77">síntese</a> dos dados da intuição sensível, síntese essa realizada pelas categorias a priori do entendimento. Schopenhauer, ao contrário, pretendeu abordar a própria coisa-em-si. Essa coisa-em-si, raiz metafísica de toda a <a href="/wpt/Realidade" title="Realidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Realidade" wx:page_id="58335" id="wx78">realidade</a>, seria a <a href="/wpt/Vontade" title="Vontade" wx:linktype="known" wx:pagename="Vontade" wx:page_id="170054" id="wx79">Vontade</a>.</p>

<p id="wx80">Segundo o autor de O Mundo como Vontade e Representação, a <a href="/wpt/Experi%C3%AAncia" title="Experiência" wx:linktype="known" wx:pagename="Experiência" wx:page_id="45564" id="wx81">experiência</a> interna do indivíduo assegura-lhe mais do que o simples fato de ele ser “um objeto entre outros”. A experiência interna também revela ao <a href="/wpt/Indiv%C3%ADduo" title="Indivíduo" wx:linktype="known" wx:pagename="Indivíduo" wx:page_id="63574" id="wx82">indivíduo</a> que ele é um ser que se move a si mesmo, um ser ativo cujo <a href="/wpt/Comportamento" title="Comportamento" wx:linktype="known" wx:pagename="Comportamento" wx:page_id="588" id="wx83">comportamento</a> manifesto expressa diretamente sua vontade. Essa consciência interior que cada um possui de si mesmo como vontade seria primitiva e irredutível: A vontade revelar-se-ia imediatamente a todas as pessoas como o em-si e a percepção que as pessoas têm de si mesmas como vontades seria distinta da percepção que as mesmas têm como corpo. Mas isso não significa que Schopenhauer tinha esposado a tese de que as ações corporais e as ações da vontade constituem duas séries de fatos, entendidas as primeiras como causadoras das segundas. Para Schopenhauer, o <a href="/wpt/Corpo" title="Corpo" wx:linktype="known" wx:pagename="Corpo" wx:page_id="5664" id="wx84">corpo</a> <a href="/wpt/Humano" title="Humano" wx:linktype="known" wx:pagename="Humano" wx:page_id="5322" id="wx85">humano</a> é apenas objetivação da vontade, tal como aparece sob as condições da <a href="/wpt/Percep%C3%A7%C3%A3o" title="Percepção" wx:linktype="known" wx:pagename="Percepção" wx:page_id="163010" id="wx86">percepção</a> externa. Em outros termos, o que se quer e o que se faz são uma e a mesma coisa, vistos, porém, de perspectivas diferentes.</p>

<p id="wx87">Da mesma forma como nos <a href="/wpt/Homem" title="Homem" wx:linktype="known" wx:pagename="Homem" wx:page_id="13431" id="wx88">homems</a>, a vontade seria o princípio fundamental da <a href="/wpt/Natureza" title="Natureza" wx:linktype="known" wx:pagename="Natureza" wx:page_id="51887" id="wx89">natureza</a>. Para Schopenhauer, na queda de uma <a href="/wpt/Pedra" title="Pedra" wx:linktype="known" wx:pagename="Pedra" wx:page_id="129838" id="wx90">pedra</a>, no crescimento de uma <a href="/wpt/Planta" title="Planta" wx:linktype="known" wx:pagename="Planta" wx:page_id="985691" id="wx91">planta</a> ou no puro comportamento instintivo de um <a href="/wpt/Animal" title="Animal" wx:linktype="known" wx:pagename="Animal" wx:page_id="1167308" id="wx92">animal</a> afirmam-se tendências, em cuja objetivação se constituem os corpos. Essas diversas tendências não passariam de disfarces sob os quais se oculta uma vontade única, superior, de caráter metafísico e presente igualmente na planta que nasce e cresce, e nas complexas ações humanas. Essa vontade, para Schopenhauer, é independente da representação e, portanto, não se submete às leis da razão. Ao contrário de <a href="/wpt/Hegel" title="Hegel" wx:linktype="known" wx:pagename="Hegel" wx:page_id="38910" id="wx93">Hegel</a>, para quem o real é racional, a filosofia de Schopenhauer sustenta que o real é em si mesmo cego e irracional, enquanto vontade. As formas racionais da consciência não passariam de ilusórias aparências e a <a href="/wpt/Ess%C3%AAncia" title="Essência" wx:linktype="known" wx:pagename="Essência" wx:page_id="188224" id="wx94">essência</a> de todas as coisas seria alheia à razão: <i id="wx95">"A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da <a href="/wpt/Terra" title="Terra" wx:linktype="known" wx:pagename="Terra" wx:page_id="1800" id="wx96">terra</a>, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta"</i>. o inconsciente representa, assim, papel fundamental na filosofia de Schopenhauer. Sob esse aspecto, o autor de O Mundo como Vontade e Representação antecipou-se a alguns dos conceitos mais importantes da psicanálise fundada por <a href="/wpt/Sigmund_Freud" title="Sigmund Freud" wx:linktype="known" wx:pagename="Sigmund_Freud" wx:page_id="9803" id="wx97">Sigmund Freud</a> (<a href="/wpt/1856" title="1856" wx:linktype="known" wx:pagename="1856" wx:page_id="24043" id="wx98">1856</a>-<a href="/wpt/1939" title="1939" wx:linktype="known" wx:pagename="1939" wx:page_id="7172" id="wx99">1939</a>).</p>

<p id="wx100">O próprio Freud reconheceu a importância das idéias de Schopenhauer; em um de seus escritos afirma que certas considerações sobre a <a href="/wpt/Loucura" title="Loucura" wx:linktype="known" wx:pagename="Loucura" wx:page_id="46837" id="wx101">loucura</a>, encontradas no Mundo como Vontade e Representação, poderiam <i id="wx102">"rigorosamente, sobrepor-se à doutrina da repressão"</i>.</p>

<a id="Viver_.C3.A9_sofrer" name="Viver_.C3.A9_sofrer"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Viver é sofrer" id="wxsec3"><h2 id="wx103">Viver é sofrer</h2>

<p id="wx104">No <a href="/wpt/Sistema" title="Sistema" wx:linktype="known" wx:pagename="Sistema" wx:page_id="8088" id="wx105">sistema</a> de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, e a fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente <a href="/wpt/Pessimismo" title="Pessimismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Pessimismo" wx:page_id="387321" id="wx106">pessimista</a>, pois a vontade é concebida em seu sistema como algo sem nenhuma <a href="/wpt/Meta" title="Meta" wx:linktype="known" wx:pagename="Meta" wx:page_id="1113614" id="wx107">meta</a> ou finalidade, um querer <a href="/wpt/Irracional" class="new" title="Irracional" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Irracional" id="wx108">irracional</a> e inconsciente. Sendo um <a href="/wpt/Mal" title="Mal" wx:linktype="known" wx:pagename="Mal" wx:page_id="188799" id="wx109">mal</a> inerente à <a href="/wpt/Exist%C3%AAncia" title="Existência" wx:linktype="known" wx:pagename="Existência" wx:page_id="158394" id="wx110">existência</a> do homem, ela gera a <a href="/wpt/Dor" title="Dor" wx:linktype="known" wx:pagename="Dor" wx:page_id="25466" id="wx111">dor</a>, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção temporária de um processo de <a href="/wpt/Infelicidade" title="Infelicidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Infelicidade" wx:page_id="1423082" id="wx112">infelicidade</a> e somente a lembrança de um sofrimento <a href="/wpt/Passado" title="Passado" wx:linktype="known" wx:pagename="Passado" wx:page_id="122963" id="wx113">passado</a> criaria a ilusão de um bem <a href="/wpt/Presente" title="Presente" wx:linktype="known" wx:pagename="Presente" wx:page_id="1481644" id="wx114">presente</a>. Para Schopenhauer, o <a href="/wpt/Prazer" title="Prazer" wx:linktype="known" wx:pagename="Prazer" wx:page_id="112474" id="wx115">prazer</a> é <a href="/wpt/Momento" title="Momento" wx:linktype="known" wx:pagename="Momento" wx:page_id="129107" id="wx116">momento</a> fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em <a href="/wpt/Luta" title="Luta" wx:linktype="known" wx:pagename="Luta" wx:page_id="1479445" id="wx117">luta</a> por sua realização: <i id="wx118">“Viver é sofrer”</i>.</p>

<p id="wx119">Mas, apesar de todo seu profundo pessimismo, a filosofia de Schopenhauer aponta algumas vias para a suspensão da dor. Num primeiro momento, o caminho para a supressão da dor encontra-se na contemplação artística. A contemplação desinteressada das idéias seria um ato de intuição artística e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua vez, conduziria ao domínio da própria vontade. Na arte, a relação entre a vontade e a representação inverte-se, a <a href="/wpt/Intelig%C3%AAncia" title="Inteligência" wx:linktype="known" wx:pagename="Inteligência" wx:page_id="13080" id="wx120">inteligência</a> passa a uma posição superior e assiste à história de sua própria vontade; em outros termos, a inteligência deixa de ser atriz para ser espectadora. A atividade artística revelaria as idéias <a href="/wpt/Eterno" class="new" title="Eterno" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Eterno" id="wx121">eternas</a> através de diversos graus, passando sucessivamente pela <a href="/wpt/Arquitetura" title="Arquitetura" wx:linktype="known" wx:pagename="Arquitetura" wx:page_id="287" id="wx122">arquitetura</a>, <a href="/wpt/Escultura" title="Escultura" wx:linktype="known" wx:pagename="Escultura" wx:page_id="777" id="wx123">escultura</a>, <a href="/wpt/Pintura" title="Pintura" wx:linktype="known" wx:pagename="Pintura" wx:page_id="1547" id="wx124">pintura</a>, <a href="/wpt/Poesia" title="Poesia" wx:linktype="known" wx:pagename="Poesia" wx:page_id="14822" id="wx125">poesia</a> <a href="/wpt/Lirismo" title="Lirismo" wx:linktype="known" wx:pagename="Lirismo" wx:page_id="1451663" id="wx126">lírica</a>, poesia <a href="/wpt/Trag%C3%A9dia" title="Tragédia" wx:linktype="known" wx:pagename="Tragédia" wx:page_id="18236" id="wx127">trágica</a>, e, finalmente, pela <a href="/wpt/M%C3%BAsica" title="Música" wx:linktype="known" wx:pagename="Música" wx:page_id="1211" id="wx128">música</a>. Em Schopenhauer, pela primeira vez na história da filosofia, a música ocupa o primeiro lugar entre todas as artes. Liberta de toda referência específica aos diversos objetos da vontade, a música poderia exprimir a Vontade em sua essência geral e indiferenciada, constituindo um meio capaz de propor a libertação do homem, em face dos diferentes aspectos assumidos pela Vontade.</p>

<a id="No_Nada.2C_a_salva.C3.A7.C3.A3o" name="No_Nada.2C_a_salva.C3.A7.C3.A3o"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="No Nada, a salvação" id="wxsec4"><h2 id="wx129">No Nada, a salvação</h2>

<p id="wx130">A libertação proporcionada pela <a href="/wpt/Arte" title="Arte" wx:linktype="known" wx:pagename="Arte" wx:page_id="310" id="wx131">arte</a>, segundo Schopenhauer, não é, contudo, total e completa. A arte significa apenas um distanciamento relativamente passageiro e não a supressão da Vontade. Para que atinja a <a href="/wpt/Liberdade" title="Liberdade" wx:linktype="known" wx:pagename="Liberdade" wx:page_id="23848" id="wx132">libertação</a>, é necessário que o homem ascenda ao nível da conduta <a href="/wpt/%C3%89tica" title="Ética" wx:linktype="known" wx:pagename="Ética" wx:page_id="8710" id="wx133">ética</a>, a qual representa uma etapa superior no processo de superação das "dores do mundo". A ética de Schopenhauer não está, contudo, presa à noção de "dever"; Schopenhauer rejeita as formas imperativas de filosofia que são, para ele, formas de coerção.</p>

<p id="wx134">Sua ética não se apóia em mandamentos, antes na <a href="/wpt/No%C3%A7%C3%A3o" class="new" title="Noção" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Noção" id="wx135">noção</a> de que a <a href="/wpt/Contempla%C3%A7%C3%A3o" title="Contemplação" wx:linktype="known" wx:pagename="Contemplação" wx:page_id="426617" id="wx136">contemplação</a> da <a href="/wpt/Verdade" title="Verdade" wx:linktype="known" wx:pagename="Verdade" wx:page_id="1895" id="wx137">verdade</a> é o caminho de acesso ao <a href="/wpt/Bem" title="Bem" wx:linktype="known" wx:pagename="Bem" wx:page_id="1429844" id="wx138">bem</a>. Para Schopenhauer, o <a href="/wpt/Ego%C3%ADsmo" title="Egoísmo" wx:linktype="known" wx:pagename="Egoísmo" wx:page_id="439413" id="wx139">egoísmo</a>, que faz do homem o inimigo do homem, advém da <a href="/wpt/Ilus%C3%A3o" title="Ilusão" wx:linktype="known" wx:pagename="Ilusão" wx:page_id="477816" id="wx140">ilusão</a> de vontades independentes que afirmam seus ímpetos individuais. A superação do egoísmo somente seria possível mediante o conhecimento da natureza única <a href="/wpt/Universo" title="Universo" wx:linktype="known" wx:pagename="Universo" wx:page_id="13228" id="wx141">universal</a> da Vontade. Como conseqüência <a href="/wpt/Moral" title="Moral" wx:linktype="known" wx:pagename="Moral" wx:page_id="46698" id="wx142">moral</a> do desaparecimento de sua <a href="/wpt/Individualidade" title="Individualidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Individualidade" wx:page_id="94373" id="wx143">individualidade</a>, o homem pode tornar-se bom; ao espírito de luta contra os semelhantes segue-se o espírito de <a href="/wpt/Simpatia" title="Simpatia" wx:linktype="known" wx:pagename="Simpatia" wx:page_id="128717" id="wx144">simpatia</a>. Libertado, pela etapa ética, o homem atinge o princípio que é o fundamento de toda verdade moral: <i id="wx145">"Não prejudiques pessoa alguma, sê bom com todos"</i>.</p>

<p id="wx146">Essa ética da <a href="/wpt/Piedade" title="Piedade" wx:linktype="known" wx:pagename="Piedade" wx:page_id="14570" id="wx147">piedade</a> e da comiseração, segundo Schopenhauer, encontrou sua mais acabada expressão nos <a href="/wpt/B%C3%ADblia" title="Bíblia" wx:linktype="known" wx:pagename="Bíblia" wx:page_id="467" id="wx148">evangelhos</a>, onde <i id="wx149">"ama a teu próximo como a ti mesmo"</i> constitui o princípio fundamental da conduta. Mas nem mesmo a ética da piedade possibilitaria ao homem atingir a <a href="/wpt/Felicidade" title="Felicidade" wx:linktype="known" wx:pagename="Felicidade" wx:page_id="29560" id="wx150">felicidade</a> última. Para Schopenhauer, a mais completa forma de salvação para o homem somente pode ser encontrada na renúncia quietista ao mundo e a todas as suas solicitações, na mortificação dos instintos, na auto-anulação da vontade e na fuga para o Nada: "...desviemos um instante os <a href="/wpt/Olho" title="Olho" wx:linktype="known" wx:pagename="Olho" wx:page_id="20673" id="wx151">olhos</a> de nossa própria indigência e de nosso limitado <a href="/wpt/Horizonte" title="Horizonte" wx:linktype="known" wx:pagename="Horizonte" wx:page_id="403682" id="wx152">horizonte</a>; levemo-lo sobre esses homens que venceram o mundo nos quais a vontade, atingindo a <a href="/wpt/Perfei%C3%A7%C3%A3o" title="Perfeição" wx:linktype="known" wx:pagename="Perfeição" wx:page_id="1455589" id="wx153">perfeita</a> consciência de si, se reconheceu em tudo que existe e livremente renunciou a si mesma...</p>

<p id="wx154">Então, em vez desse tumulto de aspirações sem <a href="/wpt/Fim" title="Fim" wx:linktype="known" wx:pagename="Fim" wx:page_id="853438" id="wx155">fim</a>, em vez dessas passagens constantes do desejo ao medo, da <a href="/wpt/Alegria" title="Alegria" wx:linktype="known" wx:pagename="Alegria" wx:page_id="231967" id="wx156">alegria</a> ao <a href="/wpt/Sofrimento" title="Sofrimento" wx:linktype="known" wx:pagename="Sofrimento" wx:page_id="577839" id="wx157">sofrimento</a>, em vez dessas <a href="/wpt/Esperan%C3%A7a" title="Esperança" wx:linktype="known" wx:pagename="Esperança" wx:page_id="6198" id="wx158">esperanças</a> sempre inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela vontade, um sonho interrompido, não perceberemos mais do que esta paz, mais preciosa que todos os tesouros da razão, a calma absoluta do espírito, esta serenidade imperturbável, tal como <a href="/wpt/Rafael" title="Rafael" wx:linktype="known" wx:pagename="Rafael" wx:page_id="206669" id="wx159">Rafael</a> e <a href="/wpt/Corregio" class="new" title="Corregio" wx:linktype="unknown" wx:pagename="Corregio" id="wx160">Corregio</a> a pintaram nas figuras de seus <a href="/wpt/Santo" title="Santo" wx:linktype="known" wx:pagename="Santo" wx:page_id="1747" id="wx161">santos</a> e cujo <a href="/wpt/Brilho" title="Brilho" wx:linktype="known" wx:pagename="Brilho" wx:page_id="473255" id="wx162">brilho</a> deve ser para nós a mais completa e verídica anunciação da boa nova: a vontade desapareceu; subsiste apenas o conhecimento".</p>

<a id="Ver_tamb.C3.A9m" name="Ver_tamb.C3.A9m"/>
</wx:section><wx:section level="2" title="Ver também" id="wxsec5"><h2 id="wx163"><wx:template id="wx_t3" pagename="Predefinição:Ver_também" page_id="62492"/>Ver também<wx:templateend start="wx_t3"/></h2>

<ul id="wx164">
<li id="wx165"><a href="/wpt/Arthur_Schopenhauer" title="Arthur Schopenhauer" wx:linktype="known" wx:pagename="Arthur_Schopenhauer" wx:page_id="25440" id="wx166">Arthur Schopenhauer</a></li>

<li id="wx167"><a href="/wpt/Friedrich_Nietzsche" title="Friedrich Nietzsche" wx:linktype="known" wx:pagename="Friedrich_Nietzsche" wx:page_id="3866" id="wx168">Friedrich Nietzsche</a></li>

<li id="wx169"><a href="/wpt/Sigmund_Freud" title="Sigmund Freud" wx:linktype="known" wx:pagename="Sigmund_Freud" wx:page_id="9803" id="wx170">Sigmund Freud</a></li>
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<a href="/wpt/index.php?title=Especial:Categories&amp;article=Pensamentos_de_Arthur_Schopenhauer" title="Especial:Categories" wx:linktype="known" wx:pagename="Especial:Categories" id="wx171">Categorias de páginas</a>: <span dir="ltr" id="wx172"><a href="/wpt/Categoria:%21Artigos_com_trechos_que_carecem_de_fontes_desde_Fevereiro_de_2008" title="Categoria:!Artigos com trechos que carecem de fontes desde Fevereiro de 2008" wx:linktype="known" wx:pagename="Categoria:!Artigos_com_trechos_que_carecem_de_fontes_desde_Fevereiro_de_2008" wx:page_id="1554467" id="wx173">!Artigos com trechos que carecem de fontes desde Fevereiro de 2008</a></span></div>
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